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Mudando de carreira no fim do mundo

“Não tema! Foi virada a página, tens agora um livro a escrever.” Essa frase de Cidinha da Silva tem sido meu mantra nos últimos meses. Afinal de contas, pra encarar o medo e mudar de carreira num cenário cheio de incertezas é preciso uma certa dose de coragem.

Neste artigo, eu conto um pouco sobre minha jornada profissional e algumas dicas de como mudar de carreira no fim do mundo. Espero que este artigo te ajude com o empurrãozinho que sua carreira precisa também. Vamos lá?

Prazer, Simara!

Muito prazer, meu nome é Simara, tenho 32 anos e sou baiana. Minha formação original é em marketing e durante algum tempo eu tive uma pequena agência de marketing digital. Até que em 2019, iniciei a transição de carreira para área de tecnologia.

Minha jornada tech iniciou na oficina de programação para pessoas não programadoras, Afreektech, uma iniciativa do Movimento Black Money, hub de inovação da comunidade negra.

Depois, eu passei pelo bootcamp Gama Experience, na stack hacker, na Gama Academy, uma empresa de educação que prepara talentos para o mercado digital.

Fiz também o bootcamp de backend, Next, na Movile, uma investidora estratégica que investe e desenvolve pessoas e negócios de tecnologia.

E por fim, fiz o bootcamp de desenvolvimento front-end da Reprograma, uma iniciativa que visa diminuir o gap de gênero no mercado de tecnologia através da educação.

Foi um 2019 cheio de aprendizados, descobertas e mudanças. A primeira delas foi minha mudança para São Paulo, pois os cursos eram presenciais. Além disso, eu aprendi que era capaz de mudar de carreira aos 30 anos, e descobri também que tinha aqui dentro de mim muito potencial.

Nessa vida adulta de meu deus, tudo é decisão. E ao fim dos cursos, eu precisava tomar um rumo: aplicar para vagas de desenvolvedora junior ou continuar com minha senioridade em marketing e estudando programação nas horas vagas?

“A vida é desafio”

Eu escolhi a opção 2, eu tinha aquela carta na manga e isso me dava uma falsa paz. Até que chegou a pandemia e eu me questionei muito sobre minha vida. E esse momento que balançou a vida de muita gente me fez acelerar o momento de usar a minha carta na manga.

Então fiz mais alguns outros cursos, mas dessa vez online, como Digital House, Master Tech, CS50 e RocketSeat. E tomei coragem pra escrever essa nova etapa da minha carreira, num próximo nível e sempre com sede de aprender.

Eu criei o Podcast Quero Ser Dev, onde compartilho minha jornada e convido outras mulheres inspiradoras também.

Além disso, dediquei full time de outubro de 2020 até dezembro de 2020 aplicando pra vagas, participando de processos seletivos, estudando muito e compartilhando o que eu andei aprendendo.

O resultado você já deve imaginar, né? Recebi a oferta dos sonhos, pra trabalhar numa das maiores globais de consultoria de software, a ThoughtWorks.

O livro em branco

Agora que você já me conhece, eu quero te contar como é mudar de carreira num cenário completamente remoto e em meio a pandemia.

Tendo em vista que eu participei de todo o processo seletivo online, assinei o contrato e entreguei a documentação também remotamente, fiz todo o processo de onboarding e até participei do programa de formação ThoughtWorks University também de forma remota e agora me preparo para integrar um time também remotamente.

Por isso, separei aqui embaixo 10 habilidades e as razões pelas quais eu acredito que elas foram decisoras pra minha carreira nesse momento:

Autonomia

Ter autonomia pode te ajudar muito nesse cenário remoto. Desde criar trilhas de conhecimento, traçar um plano de carreira e até fazer a gestão do tempo entre se manter equilibrada, saudável e produtiva.

Minha vó já dizia: “tem hora pra tudo, menina”.

Proatividade

Aqui na TW, a gente é sempre impactada com a frase: “se precisar de qualquer coisa, estamos a um ping de distancia”. E é isso que tenho feito: verificado a disponibilidade da agenda de diversas pessoas e agendado um bate-papo. Aí são conversas que vão desde mentorias até pair programming.

Antes, nós tínhamos as conversas de corredor, ou na hora do café, então vamos fazer o momento do cafezinho virtual um espaço pra networking e acolhimento.

Disciplina

Nesse contexto de pandemia, nem sempre a gente acorda com toda motivação para ter um dia produtivo. Ter uma rotina vai te ajudar muito a manter o foco nos dias difíceis.

É como acordar cedo ou construir hábitos mais saudáveis. No início, a gente força e vai sem vontade mesmo, só pra criar o hábito. Depois, nosso corpo e nossa mente já reagem no automático.

Pra ter reação tem que ter ação, hein! Essa é a regra do jogo!

Profissionalismo

Agora chegou a hora da polêmica, rs. Como se comportar em reuniões remotas? Preparei aqui um checklist pra te ajudar a dar os passos iniciais nesse mundo do zoom:

  • Imagine sempre que você está no escritório, então todo cuidado de respeitar o dress code da empresa que você trabalha;
  • Sempre que puder, mantenha a câmera ligada (usar filtros ou planos de fundo podem te ajudar a ter privacidade);
  • Quem tá do outro lado entende que agora você tem companheiros de trabalho: crianças, animais de estimação, plantas, parentes etc. Então, sempre que precisar se ausentar, avise no chat que vai desligar a câmera.
  • Todo cuidado do mundo com o microfone ligado. É muito chato quando o áudio de alguém vaza e interrompe a fala de outra pessoa.
  • E por falar em interrupção, use as reações do zoom para interagir. Levante a mão para informar que deseja ser a próxima pessoa a falar, interaja com positivo ou negativo, pois isso vai guiando as interações e agiliza o processo de reunião. Quanto mais direto ao ponto, mais rápido ela acaba! rs
  • Para evitar a fadiga da exposição às telas, prefira sempre pinar a imagem das outras pessoas, em vez de ficar olhando sua própria imagem na tela.
  • E por fim, sempre coloque seus alarmes para te lembrar de entrar pontualmente nos compromissos.

Autoconhecimento

“É se respeitar na sua força e fé, e se olhar bem fundo até o dedão do pé” – eu amo como Gonzaguinha consegue dizer o que é autoconhecimento aqui nesse trecho da música “Eu apenas queria que você soubesse”.

Esse exercício de se autoexaminar, de se conhecer, pra saber o que dói e identificar suas fortalezas também. Para esses tempos de trabalhos remotos, pausar é importante demais, então esteja sempre alinhada com sua liderança sobre os momentos que você tira para o autocuidado.

Nem que sejam vários intervalos curtos ao longo do dia pra fazer um chá, um café, fazer uma meditação, tomar sol, ouvir uma música enfim, fazer o que te faz bem e que pode te ajudar a se manter no eixo.

Sua saúde mental vai te agradecer por cada pausa que você tirar!

Adaptabilidade

Reagir e se adaptar rapidamente são habilidades que podem te destacar no mercado digital. Mas que podem também te trazer uma qualidade de vida melhor. Nada é permanente. Todas as situações difíceis possuem possibilidades reais e diferentes de resolução.

Ser uma pessoa que se adapta a contextos diferentes, certamente vai fazer de você alguém resiliente. E esse super poder é pra além do escritório, é pra vida como um todo.

Empatia

Essa habilidade é a minha favorita. Você já tentou olhar pra o calo de outra pessoa, ao invés de só reparar onde te aperta? É óbvio que não dá pra uma pessoa não-negra entender na pele o que é racismo, mas dá pra estudar sobre branquitude e privilégios.

Não dá pra uma pessoa cis, entender na pele o que é transfobia, mas dá pra se informar e não reproduzir discursos que ferem. E que transformam o Brasil o maior no mundo, em número de assassinatos de pessoas transgenero e travestis.

E essa lógica de se informar e tratar o outro como gosta de ser tratado (com amor e respeito), deve alcançar todos os grupos minorizados e subrepresentados.

Tenha atenção! Use seu acesso à informação! Não seja reprodutor ou conivente com atitudes e falas que aumentam as desigualdades de oportunidades no mercado de trabalho.

Lifelong learning

Depois do choque de realidade do tópico anterior, tem outro toque aqui. Suas chances no mercado digital aumentam quando você é uma eterna estudante. Sim, esteja aberta sempre a aprender novos conceitos e práticas da sua área de atuação ou do mercado como um todo.

É aquela velha batalha: generalista ou especialista? Tem lugar pra todo mundo, o importante mesmo é se manter em constante atualização com cursos, leituras, eventos etc.

Comunicação efetiva

Falar, escutar e se relacionar formam o combo da comunicação efetiva. Em tempos de relações digitais no trabalho, ter uma comunicação efetiva é ouro. Eu sempre fui muito comunicativa, sempre gostei de falar alto e olhando no olho.

Mas eu nunca usei tanto a soft skill de relacionamento como agora. Eu entrei pra o time da escuta ativa, não interrompo a linha de raciocínio das outras pessoas e sempre proponho o que eu penso. Propor é diferente de impor. É saber se faz sentido pra outra pessoa também.

Toda conversa tem dois ou mais lados e todos devem ser considerados. Essa diversidade de ideias e vivências, só aumenta meu repertório.

Brilho no olho

Por último e não menos importante “brilho no olho”. É muito subjetivo, né? Mas é muito importante lembrar que são mais de oito horas todos os dias convivendo com o trabalho que a gente escolhe.

Eu sei que não é a realidade da maioria das profissões e pessoas, mas deveria ser! Eu escolhi o meu trabalho e a empresa que eu gostaria de trabalhar.

Literalmente, eu fiz uma lista de empresas que tinham um programa explícito de diversidade, inclusão e oportunidade de plano de carreira. Conversei com pessoas de dentro, stalkeei nas redes sociais e apliquei somente para as vagas e empresas que faziam sentido.

É assim que as recrutadoras fazem também, eu apenas agi com reciprocidade, rs.

E hoje, eu acordo todos os dias, sabendo que sou feliz onde estou. Eu tô crescendo muito em várias áreas da minha vida, eu tenho me conectado com pessoas incríveis ao redor do mundo. E eu tô muito aberta a viver tudo isso com muito brilho no olho.

Conclusão

Algumas pessoas que já me assistiram falar sobre carreira tech, dizem que é contagiante. É que minha carreira e minha vida se transformaram tanto. Que eu só quero impactar o maior número possível de pessoas a viver essa transformação em suas carreiras também.

Além disso, tem o fato que é um dos poucos mercados que cresce em posições abertas, enquanto temos poucas pessoas formadas na área. Tá sobrando vaga em aberto, pessu!

Espero que esse artigo te ajude de alguma forma! Lembre-se: estou a um ping ou a um play de distância, me pinga no chat pra gente conversar. E para mais dicas de carreiras no fim do mundo, escute o podcast quero ser dev! Beijinhos e até mais!

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